Houthis dizem que abateram caça saudita; Arábia Saudita acusa grupo de atacar Meca e 'cruzar a linha vermelha'
16/09/2026
(Foto: Reprodução) Centenas de milhares de peregrinos realizam orações de sexta-feira na grande mesquita de Meca, Arábia Saudita, sexta-feira, 14 de janeiro de 2005.
Reprodução AP Photo/Amr Nabil
Os Houthis afirmaram nesta quarta-feira (16) que abateram um jato de guerra da Arábia Saudita. Riade, por sua vez, acusou o grupo terrorista iemenita de atacar Meca e disse que o incidente "cruzou a linha vermelha".
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O grupo do Iêmen afirmou que derrubou um F-15 da Força Aérea saudita que sobrevoava a cidade de Marib e realizava o que chamou de "operação hostil", porém não forneceram evidências para comprovar a alegação. Riade não havia se pronunciado sobre o assunto até a última atualização desta reportagem.
O porta-voz Yahya Saree disse também que a Arábia Saudita realizou novos ataques aéreos contra posições houthis no território iemenita, e que os sauditas já fizeram 450 bombardeios nesta semana.
Já a Arábia Saudita afirmou ter abatido na terça um drone que voava em direção a Meca, a cidade mais sagrada do islamismo. Riade disse que o incidente "cruzou a linha vermelha" e prometeu resposta. Os Houthis negaram ter lançado um ataque contra Meca.
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Ainda na terça, o país havia emitido um alerta de perigo à população da cidade sagrada em meio a um ataque aéreo houthi no território saudita. O alerta, no entanto, foi retirado minutos depois.
Esta foi a primeira vez que acusações sobre um ataque contra Meca surgiram desde início da escalada nos combates entre a Arábia Saudita e os Houthis —que por sua vez foi deflagrada pela guerra do Oriente Médio entre Estados Unidos e Irã.
Essa escalada inclui avanços territoriais dos Houthis pelo Iêmen, em que o grupo se aproximou de controlar o Estreito de Bab el-Mandeb, que dá acesso ao Mar Vermelho. Leia mais abaixo.
Um sinal de que os combates expandidos entre Houthis e Arábia Saudita representa uma piora do panorama de segurança do Oriente Médio foi os Estados Unidos endurecerem o alerta de viagem para o país árabe, em que proibiu funcionários do governo de viajar para áreas situadas a menos de 30 km da fronteira com o Iêmen.
Ofensiva dos Houthis
Navio navega no Estreito de Bab el-Mandeb em abril de 2026.
Reuters
Os avanços dos Houthis nos últimos dias, incluindo a tomada de diversas cidades-chave na costa do Iêmen e a ilha de Perim, no Estreito de Bab el-Mandeb, que dá acesso ao mar Vermelho, aumentaram a pressão sobre a Arábia Saudita.
O país teve suas exportações de petróleo afetadas nas últimas semanas por conta de um bloqueio marítimo houthi e por um bombardeio de drone vindo do Iraque que interrompeu a operação o oleoduto leste-oeste, o principal do país. Riade atribuiu o ataque ao oleoduto a milícias apoiadas pelo Irã no Iraque.
Na atual conjuntura, os Houthis estão próximos de controlar Bab el-Mandeb, segundo a agência de notícias Reuters. O Catar afirmou na terça que isso seria "catastrófico".
Em resposta à ofensiva dos Houthis, as Forças Aéreas saudita e iemenita intensificaram os bombardeios contra alvos do grupo, inclusive nas proximidades do histórico porto de Moca, no mar Vermelho. Mas o grupo terrorista manteve o controle efetivo de quase toda a costa oeste do país ao longo do mar Vermelho, segundo autoridades do governo iemenita reconhecido internacionalmente.