Conheça a história de Sandro, elefante levado a santuário no MT após viver por mais de 40 anos no Zoo de Sorocaba

  • 17/09/2026
(Foto: Reprodução)
Elefante Sandro segue viagem a santuário após despedida emocionante e protesto em Sorocaba Depois de mais de quatro décadas como um dos moradores mais conhecidos do Parque Zoológico Municipal Quinzinho de Barros, em Sorocaba (SP), o elefante Sandro, de 54 anos, deixou a cidade nesta quarta-feira (16) com destino ao Santuário de Elefantes Brasil (SEB), na Chapada dos Guimarães (MT). A transferência começou na tarde de quinta-feira (10), quando a caixa transportadora chegou ao parque. A estrutura foi posicionada na área externa na noite de sexta-feira (11) e Sandro entrou voluntariamente no local no sábado (12). Depois, a caixa foi içada e colocada em um caminhão prancha que faz o trajeto até o santuário. 📲 Participe do canal do g1 Sorocaba e Jundiaí no WhatsApp A saída do elefante em uma viagem de mais de 1,6 mil quilômetros - e que vai durar dois dias e meio - encerra uma história que começou em 1982 e que fez de Sandro um dos animais mais conhecidos do zoológico de Sorocaba. Elefante Sandro ainda novinho no zoológico de Sorocaba (SP) Arquivo Pessoal A chegada de Sandro a Sorocaba Capturado ainda filhote na Ásia, Sandro chegou ao Quinzinho de Barros em janeiro de 1982, após ser transferido de um circo. O elefante passou por um processo de adaptação até se acostumar ao novo ambiente. Com o passar dos anos, tornou-se uma das principais atrações do zoológico de Sorocaba. Segundo o zoo, entre os cuidados de Sandro havia uma alimentação a base de capim, brotos macios e frutas. A espécie do elefante é da região da Índia. Considerado um idoso, já que a expectativa de vida de um elefante em cativeiro é de 60 anos, o animal é descrito pelos tratadores como carinhoso, comilão e brincalhão. Uma das fases mais marcantes da história de Sandro em Sorocaba foi a convivência com a elefanta Haisa, vinda de outro zoológico. A relação entre eles foi acompanhada de perto por tratadores e especialistas, que destacavam o vínculo afetivo entre ambos. Sandro e Haisa no zoo de Sorocaba (SP) TV TEM/Reprodução Os dois viveram juntos por 20 anos no Quinzinho de Barros. No entanto, a convivência terminou em 2020, quando Haisa morreu. Após a morte da companheira, Sandro passou a viver sozinho no recinto, situação que se tornou um dos principais pontos de discussão sobre o futuro do animal. Sandro, o "Trombadinha" Antes de ganhar o nome de Sandro, o elefante era chamado de "Trombadinha". Quando chegou em Sorocaba, Sandro era um elefante adolescente. Na época, seu tratador era Lucílio Alves de Araújo, um dos primeiros humanos com quem o animal criou uma relação de amizade, ainda quando vivia no circo. Lucílio trabalhava no circo Real Africano e conheceu Sandro em 1979, quando tinha 14 anos. "Ele se 'engraçou' comigo. O proprietário do circo me disse que eu seria o responsável por cuidar do Sandro, porque ele era muito brincalhão e não queria saber de trabalhar", contou Lucílio em entrevista ao g1, em 2025. Confira a entrevista na íntegra. "Se colocassem o Sandro no picadeiro, ele queria jogar cadeira, pisar em cadeira, mas sem machucar ninguém. Ele nunca machucou ninguém. Aí, ele ganhou o apelido de Trombadinha, porque, se alguém tentava chegar perto, ele empurrava mesmo, com a tromba", revelou Lucílio. "Ele não era viável porque ele não trabalhava em picadeiro, e o proprietário do circo vendeu ele para o circo Bismarck. Eu também fui para o circo Bismarck, fiquei com o Sandro até quando eles fizeram a permuta com alguns animais", explicou. Lucílio acompanhou o amigo elefante e, no início, a ideia era ficar somente até o animal se acostumar com o recinto e o ambiente do zoo. Ele cuidou de Sandro por oito meses pelo circo e três anos pelo zoológico. Quando chegou no zoo, Sandro pesava "apenas" duas toneladas, sendo que a média de um elefante asiático adulto é o dobro deste peso. A dieta do animal é composta por 250 quilos de alimento, sendo 150 somente de capim. O cardápio também inclui uma variedade de frutas e sucos, sendo que o de beterraba é o favorito dele. Placa no recinto de Sandro, no zoo de Sorocaba, informa sobre espécie do elefante Mariana Campos/Prefeitura de Sorocaba Disputa pelo futuro do elefante Após a morte de Haisa, o Ministério Público (MP) recomendou que Sandro fosse transferido para o SEB, no Mato Grosso. A Prefeitura de Sorocaba negociou a possível transferência, mas o destino do animal passou a ser discutido judicialmente. A partir de então, o caso envolveu diferentes decisões, recursos e avaliações sobre as condições em que Sandro vivia no zoológico e a viabilidade da transferência. Em 2022, a prefeitura acatou a recomendação do MP e anunciou que realizaria a transferência do elefante. Porém, após protestos contra a mudança, a administração municipal recuou e criou uma comissão para decidir o destino do animal. Em abril do mesmo ano, a Justiça de Sorocaba negou o pedido de liminar para a transferência imediata de Sandro para o santuário. O MP informou, na época, que o animal não apresentava sinais de maus-tratos, estava com boa saúde física e mental e exibia comportamentos típicos de sua faixa etária. Além disso, o parecer técnico de um médico-veterinário e de uma bióloga indicou que não havia elementos que justificassem os riscos de um transporte de longa distância ou a exposição de um animal idoso a novas condições estruturais e de manejo às quais não estava habituado. Elefante Sandro morou no Zoológico de Sorocaba (SP) por 43 anos Thiago Ariosi/TVTEM LEIA MAIS 'Difícil se despedir de um amigo': tratador do Zoo de Sorocaba desabafa sobre transferência do elefante Sandro Elefante Sandro: entenda a disputa judicial pela transferência do animal do zoo de Sorocaba Carinhoso, comilão e brincalhão: conheça Sandro, elefante que vive há mais de 40 anos no zoo de Sorocaba e que virou alvo de disputa judicial VÍDEO: tratador do Zoo de Sorocaba se emociona e chora no adeus ao elefante Sandro O caso voltou a avançar em 2025, quando uma nova perícia foi solicitada para avaliar as condições do recinto. O laudo apontou que a estrutura oferecida ao elefante era insuficiente para garantir sua qualidade de vida e destacou a diferença entre o espaço do zoológico e a área disponível no santuário. Em abril daquele ano, a Justiça determinou a transferência de Sandro para o santuário em Mato Grosso e estabeleceu um prazo para o cumprimento da decisão. A prefeitura recorreu. Justiça mantém transferência Em junho de 2026, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) autorizou a transferência de Sandro para o Santuário de Elefantes Brasil. Com a decisão, foram iniciados os procedimentos logísticos para o transporte até Mato Grosso. A transferência exigiu um planejamento específico. Entre as etapas esteve o processo de adaptação à caixa de transporte, realizado antes do início do trajeto. Elefante Sandro e o tratador Sergio Domingues no zoo de Sorocaba (SP) Eric Mantuan / g1 Adaptação para a viagem A caixa de transporte chegou ao zoológico em setembro e foi instalada no recinto de Sandro. A estrutura permaneceu aberta para que o elefante pudesse entrar e sair livremente para se acostumar com o novo espaço. A caixa pesa aproximadamente 10 toneladas, tem 5 metros de comprimento, 3,5 metros de altura e 2,5 metros de largura, além de contar com sistema de monitoramento de temperatura e janelas de ventilação. No dia 12 de setembro, Sandro entrou voluntariamente na caixa pela primeira vez. A estrutura foi preparada especialmente para o transporte e é utilizada durante todo o trajeto. A previsão é que Sandro chegue a Mato Grosso nesta sexta-feira (18). Elefante Sandro entra em caixa de transporte no zoo de Sorocaba e inicia adaptação para viagem ao Santuário de MT Reprodução/TV TEM Após mais de 40 anos em Sorocaba, Sandro deixa o zoológico para começar uma nova fase no Santuário de Elefantes Brasil. A transferência encerra uma história iniciada em 1982, quando o elefante chegou ao Quinzinho de Barros vindo de um circo. O animal viveu décadas no local, dividiu o recinto com Haisa e, após a morte da companheira, tornou-se o personagem central de uma disputa judicial sobre seu destino. Elefante Sandro viveu no zoológico municipal Quinzinho de Barros, em Sorocaba (SP), por mais de 40 anos Eduardo Ribeiro Jr./g1 Elefante Sandro viveu no zoológico municipal Quinzinho de Barros, em Sorocaba (SP), por mais de 40 anos Eduardo Ribeiro Jr./g1 Initial plugin text Veja mais notícias da região no g1 Sorocaba e Jundiaí VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM

FONTE: https://g1.globo.com/sp/sorocaba-jundiai/noticia/2026/09/17/historia-elefante-sandro-zoologico-de-sorocaba.ghtml


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